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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Paloma Duarte: “Maternidade é meu primeiro ofício. Sou atriz por acaso”



A atriz já era mãe de Maria Luiza, 20 anos e de Ana Clara, 18, quando o caçula, Antônio, nasceu, há sete meses. Aqui, ela fala sobre a família e sobre a criação dos filhos, em fases tão diferentes

Paloma e Antônio
Antônio, o filho mais novo de Paloma Duarte, 39, completou 7 meses. Aos poucos, ela começa a sentir saudades do trabalho. Casada com o ator Bruno Ferrari, 34, Paloma conta que, dessa vez, conseguiu se dedicar mais ao bebê. “Não tenho mais urgências profissionais. Pude escolher ficar mais em casa e cuidar do filhote”, diz.
Você foi mãe agora, aos 39 anos, e aos 20. O que diria para aquela Paloma, mãe de primeira viagem?
Nossa! Fiquei dias pensando sobre isso... Honestamente, não teria nenhum conselho. Criei duas mulheres incríveis, livres, honestas. Então, devo ter acertado de alguma forma, não é? Eu trabalhava muito na época em que tive as duas. Era financeiramente necessário. Por isso, eu não poderia dizer coisas como “aproveita mais, porque passa rápido”. Realmente, não tenho um conselho. Estou em paz com as escolhas que fiz na época.
O terceiro filho foi planejado? Você imaginava que seria mãe de um menino?
Todos foram planejados. Eu imaginava ser uma possibilidade, apesar de meio remota na época. Mas, por isso, nunca fiz plástica na barriga, por exemplo… Eu queria ter um menino, mas não tinha mais certeza se rolaria.
Maria Luiza e Clara mimam o irmão, Antônio
Há algo que você pense em fazer diferente, nessa terceira experiência de maternidade?
Algo específico, em termos de educação, não. Ele veio numa época mais tranquila da minha vida, em todos os aspectos, e é claro que isso me proporcionou outras coisas. Estou com 39 anos e tenho trinta de carreira! Não sinto mais urgências profissionais. Hoje, faço o que gosto. Dessa vez, pude escolher ficar mais em casa e cuidar do filhote. Agora é que estou começando a sentir saudades de trabalhar.
Você teve desejos de alimentação na gravidez?
Tive desejos em todas as gestações: na da Malu, era picolé de limão o dia todo; na da Clarinha, tempurá; na do Tony, pipoca e tangerina.
Bruno é pai pela primeira vez. Como ele tem se saído?
No comecinho, ficava um pouco nervoso. Ele dizia: “Amor, ele é tão mole... Tenho medo de quebrar” (risos). Mas, já depois de uns três meses, ele arrasava e continua arrasando! Bruno é o tipo de pai que toda mulher sonha em encontrar.
Como é a Paloma mãe?
A pessoa mais feliz do planeta! Maternidade é meu primeiro ofício. Sou atriz por acaso.
Maria Luiza e Clara ao lado da barriga da mãe
Quais são as suas principais preocupações ao criar os filhos nos dias atuais?
Além da taxa de violência, as doenças que surgem o tempo todo e o sistema de saúde no Rio de Janeiro. Acho que minha maior preocupação é conseguir nadar contra a maré da nossa sociedade e mostrar ao meu filho que ser honesto é o melhor caminho sempre e que esperteza não é o mesmo que inteligência.
E o maior desafio da maternidade?
Conseguir desgrudar dele e voltar ao mundo!
Você pensa em ter mais filhos?
Não. Agora vou fechar a fábrica.
Já se sentiu cobrada pela sociedade ou pela mídia na recuperação imediata da boa forma depois do parto?
Claro! Sou atriz e a pressão é enorme. Não dou a mínima. Afinal, nunca fui o tipo de atriz que investe no “corpão”. Nada contra, mas nunca foi a minha. Gravidez é para ser feliz. Perder peso também tem que ser um processo feliz, natural. Por exemplo: demorei nove meses para recuperar meu peso quando tive as meninas. Dessa vez, acabei de recuperar, mas nunca fui malhada.
Que conselhos você daria para outras mães?
Não sintam culpa se não conseguirem amamentar, mas não desistam com facilidade. Você engordou muito? Alimente-se melhor, que você vai recuperar seu peso. Pode ser difícil, mas em duas semanas você se acostuma. Ganhou estrias? Celulite? Dane-se! Nada é mais maternal que estrias e nada é mais feminino que celulite. Ame-se! Seu filho merece!
Fonte: Revista Crescer

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Natalia Guimarães: “Desde a barriga, elas já eram diferentes”

Mãe das gêmeas Maya e Kiara, 3 anos, fala sobre as filhas em entrevista à coluna Conselho de Mãe, de Taynara Prado


Maya nasceu primeiro, é tímida e reservada. Kiara veio logo depois e adora dançar e cantar. Com personalidades diferentes e filhas de pais famosos, as meninas de apenas 3 anos tem mais de 240 mil seguidores nas redes sociais.  Em um bate-papo com CRESCER, Natalia Guimarães, que foi Miss Brasil em 2007, fala sobre a rotina das filhas, os desafios de educar em dose dupla e revela: “Tinha certeza de que daria conta do recado”.
Como vocês receberam a notícia de que seriam pais de duas meninas?
Eu trabalhava como repórter em um programa da tarde e minha gravidez foi acompanhada em um quadro de TV, uma espécie de reality show sobre gestação. Eu e o Leandro [cantor do KLB, marido de Natalia] tivemos a notícia de que seriamos pais de gêmeas no palco do programa. Sou filha única e sempre quis ser mãe de gêmeas. Deus me escutou, Ele sabia o quanto eu desejava duas meninas. O Leandro, por só ter irmãos, também queria uma menina. Ele não falava dessa preferência, mas eu sentia.
Em algum momento bateu medo, insegurança ou preocupação por serem duas de uma vez?
Acho que não. Sempre fui muito responsável, muito família, caseira e conselheira das minhas amigas. Acredito nessa coisa do signo. Por ser de capricórnio com ascendente em touro, sempre tive o pé no chão. Nasci para ser mãe. Tinha a certeza de que daria conta do recado, porque era o que eu realmente queria no meu coração.
A gestação foi complicada?
Foi maravilhosa! Eu não sei o que é enjoo. Tinha muito mais fome que o normal, mas nunca comi um pote de sorvete inteiro, como muita gente costuma fazer. Eu sabia que podia comer de tudo, mas não abusava. Não tive nenhum desejo muito forte. No final da gestação, quis muito tomar um caldo de cana. Não achei nenhum lugar aberto na hora e só matei a vontade dias depois. Trabalhei como repórter viajando pelas praias de Santa Catarina até o Rio Grande do Norte. Pegava muita estrada. Algumas não eram tão boas. Mesmo assim, nunca me senti mal, nenhuma náusea. Foi uma experiência incrível.
Seu deslocamento de placenta no quinto mês de gestação fez com que você ficasse em casa até o nascimento das meninas. Como foi esse primeiro desafio da gravidez?
Fiquei de repouso por quase três meses e foi um período difícil. Sou muito ativa, gosto de fazer as minhas coisas a pé, tento resolver a maior parte das tarefas do dia caminhando, me exercitando. Durante o repouso, tinha que ficar quietinha, vendo filme. Levantava só para ir ao banheiro, andava bem devagar, segurando a barriga, sabe? Coisa de mãe mesmo. Queria protegê-las para não nascerem antes do tempo.
Qual foi o maior desafio da maternidade nos primeiros dias de vida delas?
Lidar com a fragilidade dos bebês,  tão pequenos e tão dependentes de nós. Eu e Leandro fomos muito parceiros nesse primeiro momento. Fazíamos o máximo que podíamos como pais de primeira viagem, mas nunca tínhamos certeza se era o certo. Ficávamos preocupados com pequenas coisas do dia a dia, de ver se estavam respirando, se estavam agasalhadas, enroladas do jeito certo. Outra questão importante foi o sono. Eu virava a noite nos primeiros dois meses porque eram duas para amamentar, arrotar e dormir. Quando uma terminava, a outra já estava acordando para continuar a demanda de leite.
Como o Leandro se saiu nas primeiras atividades das meninas?
Leandro é um parceiro incrível. Ele tinha muito medo no início por elas serem tão frágeis e pequenas, mas estava 100% presente. Ele sempre ajudou em tudo o que podia e, quando era algo que só eu poderia resolver, ele ficava junto, observando. Ele é muito apegado com as meninas e elas são loucas com o pai. Quando saímos para jantar, ele diz que já está com saudades delas.
Você conseguiu amamentá-las?
demanda de leite para as duas era alta. Depois do segundo mês, minha médica sugeriu que déssemos a mamadeira com meu leite a noite para que eu pudesse dormir e descansar para produzir mais.
Você já declarou em entrevistas que Kiara é mais agitada e Maya, mais reservada. Desde o nascimento elas já demonstravam ser diferentes? 
Desde a barriga elas já eram diferentes! Durante os exames de ultrassom, a Kiara estava sempre em uma posição diferente, não parava quieta, fazia a irmã até de travesseirinho para se acomodar. Já a Maya passou a gestação toda sempre na mesma posição e nunca conseguíamos ver o rosto dela porque estava sempre tampado com a mão. Até hoje, ela faz isso quando vê uma câmera ou alguém que não conhece.
E hoje, como elas são?
A Kiara nasceu literalmente de bumbum virado pra lua, porque foi nessa posição que o médico a puxou. Ela adora cantar, dançar, adora um palco, um show. A Maya é muito tímida, muito mesmo! Só se solta quando se sente segura, quando está em um ambiente de gente que ela conhece, em quem confia. Aí, sim, fica uma sapequinha também.
Com quem as meninas se parecem mais? Você ou Leandro?
Eu e Leandro, apesar de nossas profissões, sempre fomos tímidos. Aprendi a lidar com isso no trabalho e na faculdade de jornalismo. O Leandro, mesmo com a carreira dele, sempre foi muito reservado. A Maya tem isso de nós dois. Já a Kiara puxou os quatro avós. É engraçada e despachada como eles.
Como é a rotina da Kiara e da Maya?
Elas já vão para a escola e fazem aula de balé e natação intercaladas. Tive um pouco de dificuldade com a adaptação da Maya na escola. Ela chorou no início, mas acredito que a Kiara ajudou muito nesse processo porque é parceira da irmã e está sempre com ela.
Dizem que os pais educam e os avós estragam. É assim na família de vocês?
Totalmente! Estamos tentando colocar na cabeça dos quatro que eles precisam nos ajudar no aspecto da educação mesmo, da criação. Como eles são muito presentes, a gente pede que eles deem essa mão na alimentação, por exemplo. Nossa família é muito unida. Os avós participam muito do dia a dia das meninas.
Qual é seu estilo de maternidade?
Sou uma mãe equilibrada, carinhosa e amorosa. Sei que não posso mimá-las demais e tento ser rígida apenas quando é necessário. Se tenho que dar bronca, sofro por dentro, mas  coloco limites. Ensino o que é correto e, às vezes, coloco por três minutos de castigo, sabe?
Quando isso costuma acontecer?
São coisas banais do dia a dia,como quando não querem colocar o uniforme para ir para a escola ou querem usar apenas fantasias. Eu, por exemplo, fico de pijama em casa. Tivemos uma fase em que penamos para Kiara usar roupas normais no dia a dia ou mesmo um pijama. Ela só gostava de ficar pronta, de vestido.
Como você lida com eventuais disputas por colo ou ciúmes de irmãs?
No começo foi mais difícil. Eu tinha que pegar as duas ao mesmo tempo. Hoje, já consigo explicar, olho no olho, que a mamãe não aguenta. Que sou uma só e que vou pegar uma por uma de cada vez. Falo que a hora de cada uma sempre vai chegar. Normalmente, pego quem pediu primeiro e explico para a outra que ela pode esperar e que tem amor para todo mundo.
Como é a relação das duas?
É a coisa mais linda do mundo, tudo que sempre sonhei quando era criança. Uma sempre pergunta pela outra, se ganham algo, querem levar a mesma coisa para a irmã. Fazem carinho uma na outra e, às vezes, disputam o mesmo brinquedo, claro. É uma conexão que é para sempre.
O que vocês três gostam de fazer juntas?
Elas estão sempre de olho na minha maquiagem por causa do trabalho. Gostam de brincar de ‘ser a mamãe’. Então, compro maquiagens de brinquedo e a brincamos juntas. Também fazemos atividades com massinhas de modelar e compras na ‘lojinha’ que elas montam. A Kiara adora fazer uma lojinha onde a gente entra e ela atende. Você escolhe algo para comprar, ela fala o preço e pede o seu cartão (risos). Outro dia, ela me pediu um cartão e eu dei um desses de hotel para ela. É uma geração que não conhece o cheque e o dinheiro, são superligadas no que observam.
Que dica você daria para outras mães de gêmeos?
Aceitar ajuda e trabalhar em equipe. A minha babá hoje é babá das meninas. Sei como ela cuida das minhas filhas e isso me tranquiliza. Também tenho sempre os avós e o Leandro me ajudando. Essa união é fundamental.
Você é considerada uma das mulheres mais bonitas do mundo. Em algum momento se sentiu pressionada pela mídia a voltar a sua forma física anterior ao parto?
Existe uma pressão para quem trabalha com imagem, mas eu uso isso de uma forma positiva. Percebo que não estou sozinha, que as pessoas me observam e uso isso como um incentivo para cuidar de mim, me exercitar e me alimentar bem. Na gestação, eu retinha muito liquido porque fiquei muito tempo em repouso, mas perdi 18 kg em duas semanas após o parto e, em um mês, estava 2 quilos mais magra do que antes da gestação. Fiquei tranquila quando percebi que naturalmente as coisas voltavam ao normal. Como cuidei delas de uma forma muito intensa, produzindo leite e ficando totalmente voltada para as duas, acabei me recuperando mais rápido do que imaginava.
Como é a alimentação das crianças?
Converso muito com a minha mãe, que, na minha época, por falta da informação que existe hoje, me deixava comer de tudo. Comia medalhão com bacon no almoço e bolo de chocolate na sobremesa. Quando fui trabalhar como modelo, sofri um pouco até aprender a comer coisas saudáveis. Hoje, temos mais informações sobre a importância dos nutrientes e, por isso, tento ensinar as meninas a gostarem de alimentos bons. Elas podem comer de tudo, inclusive os doces, mas já ensinamos sobre quantidade e mostramos os alimentos que deixam o cabelo bonito, a pele bonita e que fortalecem nossa saúde.
As meninas pedem para dormir com vocês?
Elas são superacostumadas com o bercinho delas, mas, quando aparecem no meio da noite e pedem para dormir no nosso quarto, a gente adora! Que pai não gosta de fazer um chamego e dormir abraçadinho?
Sente culpa por ter que trabalhar fora?
Não sinto culpa, sinto saudade. Acho importante elas verem a mãe trabalhando e aprender que devem correr atrás do que querem. Estou indo para Dubai, por exemplo, para cinco dias de trabalho. Sofro por antecipação, mais do que elas, inclusive, mas sei que é importante trabalhar.
Qual o principal desafio da maternidade?
Ensiná-las a respeitar o próximo, dar bons modos e, ao mesmo tempo, uma boa formação para que um dia elas façam as próprias escolhas. O mundo está muito perigoso. É importante ensinar aos filhos o que é correto, pois um dia teremos que deixá-los fazerem as próprias descobertas.
TAYNARA PRADO é escritora, jornalista e colunista. Divide o tempo entre o trabalho de Pesquisa de Conteúdo do Video Show e entrevistas com as mães famosas na coluna Conselho de Mãe, às terças-feiras. Quer escrever pra ela? Mande um e-mail para taynara.prado@tvglobo.com.br
Instagram: @taynarapradoo
Twtitter: @taynarapradoo

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Juliana Silveira: “A culpa nasce junto com o bebê”



Mãe de Bento, 5 anos, a atriz fala sobre as preocupações e os desafios de educar o filho nos dias de hoje. Ela também relembra a gestação e o parto e diz: “Minha gravidez foi a melhor do planeta”


 Com 7 anos, Juliana Silveira se lembra de ir sozinha à padaria na esquina da rua de sua casa a pedido da mãe. A atriz, que mora no Rio de Janeiro, não pode nem sonhar em fazer o mesmo com o filho. “Sinto que as crianças ficam muito presas dentro de casa”, diz, em entrevista à coluna Conselho de Mãe, de Taynara Prado. Casada com o artista plástico João Vergara, ela também conta sobre as dificuldades que enfrentou no pós-parto e diz que nada seria possível sem o apoio do marido. “O puerpério ganha disparado dos momentos mais complicados da maternidade”.
Qual a maior preocupação ou desafio de educar nos dias atuais?
Comparando com a minha infância, o maior desafio, hoje, é a questão da segurança em uma cidade grande. Sinto que as crianças ficam muito presas dentro de casa. Antigamente, era diferente. Com 7 anos, minha mãe me dava dinheiro e eu ia até a esquina, na padaria. Voltamos de uma viagem recente ao sul da Bahia. Lá, eu deixava que ele fosse até o quarto dos amigos sozinho, ia até a recepção pedir um lanche, coisas que aqui no Rio de Janeiro nós não fazemos. A segurança, sem dúvida, é o maior desafio de hoje e as crianças estão muito limitadas em função disso. Meu grande medo, como mãe, é tomar as decisões corretas nesse sentido, para que ele volte em segurança sempre, sabendo o que é certo o que é errado lá fora.
Como é a personalidade do Bento?
Bento é canceriano. Gosta muito da casa dele, é muito certinho, ama a rotina dele, gosta de quase tudo sempre igual. Brinco que ele é um velhinho e sempre protegi muito esse desejo dele. Até os 2 anos, não o tirava da rotina, nem mesmo nas viagens. Repetia os horários do banho, da alimentação, respeitava o tempo dele de ficar em casa, não passeava loucamente, deixava que ele brincasse no hotel... Sempre fiz assim. Agora que ele já é um menino de 5 anos e sinaliza que quer mais independência, estimulo esse lado de se vestir sozinho, tomar banho, arrumar a mochila, escovar os dentes. Ele é calmo, gosta de ver desenho e colorir. E adora videogame!
Sente culpa por ter que trabalhar fora?
A culpa nasce junto com o bebê e a gente precisa administrar esse sentimento para não se torne algo grande e para que ninguém sofra. Eu sentia mais culpa quando ele era bebê. Quando comecei a trabalhar, ele tinha 1 ano e eu ficava mal. Eu tive que viajar uma vez para gravar em Angra dos Reis (RJ) e, por ficar quatro dias longe, eu chorava no camarim, escondida do chefe e da equipe. Sentia muita saudade. Hoje, ainda sinto, mas ele já tem certa independência, uma rotina preenchida com escola, com os amigos e com outros interesses. Ficamos divididas, sim, com a maternidade e o trabalho, mas, aos poucos, as crianças vão adquirindo autonomia, criando a pequena agenda deles e isso dá mais tempo para fazer outras coisas. Tudo vai se encaixando. É importante também eles saberem que as coisas não são fáceis e que os pais se sacrificam para construir e dar para eles o melhor. Graças a Deus, existe toda essa tecnologia digital para nos conectar nesses períodos em que estamos fora. Isso ameniza um pouco a saudade.
O pai do Bento, o João, é artista plástico e você, atriz. Bento já demonstra algum tipo de inclinação artística?
Não dá para fazer uma previsão. O avô e o pai são artistas plásticos. Bento já gosta muito de capoeira, de dançar, de criar histórias e de música. Com certeza, nosso ambiente criativo e lúdico contribui para a educação dele. Em qualquer área que escolha seguir quando crescer, ele levará um pouco dessa bagagem, que é importante para construir uma sensibilidade. Ele é criativo, observador, sensível e extrovertido, gosta de conversar, de ouvir, bater papo. Isso tudo é fruto desse ambiente.
Qual é o seu estilo de maternidade?
Ser mãe é uma face da personalidade que está sempre em desenvolvimento constante, junto com o crescimento do filho. No puerpério, virei uma mãe-leoa. Eu não deixava ninguém dar banho nele ou trocar fralda. Apenas meu marido. Eu não queria ajuda, queria fazer tudo sozinha.  Se eu tiver um segundo filho, vou tentar me permitir descansar entre as mamadas, porque isso pode contribuir com a produção de leite. Eu tinha muita sede de aprender como mãe, queria preencher todas as necessidades dele, não me permiti ter ajuda de uma profissional, de uma babá. Fazendo esse exercício de pensar como me comportei, acho que, além de mãe-leoa, sou uma mãe observadora. Meu desejo é prepará-lo para o mundo.  Estimulo a união familiar e construo uma relação na qual ele possa fazer as coisas dele e voltar para casa, onde existe uma família amorosa.
Você se considera rígida?
Não sou rígida, mas tomo decisões. Ele ganhou um videogame. Estipulei horários, mas percebi que estava deixando o interesse pelos livros de colorir, largou os outros brinquedos, não queria mais sair para brincar com os amigos. Vi que estava perdendo a mão, que ele não estava obedecendo e recolhi o videogame, não deixei mais jogar. Conversei, disse que ele estava muito novo e que terá tempo para jogar videogame. Mostrei que existe uma vida lá fora para correr, tomar sol, brincar, e ele entendeu. Foi até muito maduro para a idade dele e aceitou. Como a resposta dele foi tranquila, senti que tomei a decisão certa. Não sei dizer se isso é rigidez ou não. Tem gente que acha que estou certa; tem gente que acha que eu deveria ter sido mais firme com os horários, mas não estava funcionando.
Quando você precisa dar bronca?
Além do videogame, um problema clássico aqui de casa é o banho. Desde que saiu da barriga, ele não gostava de tomar banho. Ir para o banho sozinho nunca é uma opção dele. Ele não gosta de parar de brincar para tomar banho ou não quer tomar porque está cansado depois da escola. Também fico tentando segurar esta questão de dormir no carro, no trânsito ou à tarde, porque depois não consegue dormir à noite. Outra questão é a comida. Na escola, ele come bem, ganha os prêmios por experimentar legumes, mas, aqui em casa, sempre há um protesto com as verduras. Se deixar, é só arroz, feijão e macarrão. Às vezes, tento negociar de uma forma saudável, às vezes temos que ser mais firmes.
Como é a alimentação do Bento?
Meu marido é magro por genética. Ele pode comer o que quiser. Já eu tomo mais cuidado, até mesmo pelo meu trabalho. Como sempre dei autonomia para ele ser pai da melhor forma possível, sem criticar, acabamos tendo alguns problemas com a questão da alimentação do Bento. A criança é reflexo do pai e da mãe, e nós tentamos comer bem. Ele vê isso no dia a dia: o suco verde, a muçarela de búfala. O pai já apresentou para ele os biscoitos e eu explico que faz mal, mas não dá para pirar, para ser neurótica. Estamos falando de uma criança saudável, que não tem restrição alimentar. Por isso, buscamos um equilíbrio. Nunca dizemos que não pode comer. Deixo tomar um sorvete de casquinha, tento sempre compensar de alguma forma. Mãe vai pela intuição e pelo bom senso. Nada é proibido, tudo é negociado.
Você já declarou, e falou sobre isso em um vídeo que gravou para a campanha “Julgue menos, apoie mais”, da CRESCER, que a escolha do momento de ter um segundo filho é uma decisão da mulher. Se sente cobrada de alguma forma?
Parar para engravidar na minha profissão é algo complicado porque não posso voltar como voltaria em um escritório. Existe uma insegurança. Em um mundo ideal, não existiriam esses questionamentos sobre ganhar dinheiro ou estar fora do mercado, mas há uma série de coisas que precisam ser pensadas. Por amor, teríamos mais filhos com certeza. Temos amor para dar e vender e o Bento pede um irmãozinho. É complicado parar agora, que consegui pegar um ritmo bom de trabalho. Se for rolar, deve ser lá para 2018, com 38 ou 39 anos. Pode ser que eu desista da ideia por uma questão de saúde. Não dá para prever o que vai acontecer. Essa escolha é da mulher, sim. Pelo João, já teríamos tido mais, mas ele me respeita muito e entende todo esse processo. Quando o Bento estava com 1 ou 2 anos as pessoas me cobravam mais, para que eles crescessem juntos e fossem amigos, mas isso não é o bastante. A mãe tem que desejar muito um segundo filho. Não pode ter apenas para dar uma companhia para o irmão.  Se tudo correr bem, eu estiver bem de saúde e estabilizada financeiramente, a chance de ter um segundo é enorme.
Como foi a sua gravidez?
Minha gravidez foi a melhor do planeta. Bento foi muito esperado e desejado por mim e pelo pai. Eu queria muito ser mãe. Quando descobri que estava grávida, foi um dia de glória. Minha vida existe como se fosse um antes e depois da descoberta da gravidez do Bento. Senti muito desejo por coisas cítricas, salivava por um sorvete de limão e uma limonada. Troquei o chocolate por limão - e olha que sou chocólatra!  Sentia muito sono nos três primeiros meses. Eu, que já sou dorminhoca, passei a hibernar naquela fase. Quando passaram esses três primeiros meses, eu me sentia ótima. Nos últimos dois meses, tive bastante azia. Então, dormia sentada para passar a queimação. Eu estava tão feliz, que isso nem me incomodava muito. Devia ser o hormônio da felicidade, porque não ficou na minha memória como um momento complicado. O puerpério ganha disparado dos momentos mais complicados da maternidade.
Bento nasceu em uma cesárea, mas você tentou muito o parto normal. Como foi esse processo?
Eu queria muito o parto normal. Conversei durante toda a gravidez com a minha ginecologista. Cheguei a entrar em trabalho de parto, fui para o hospital, tomei ocitocina sintética e fiquei mais doze horas tentando. Mesmo assim, só tive 4 centímetros de dilatação. A equipe médica achou que o bebê poderia entrar em sofrimento e, por essa razão, optamos pela cesárea. Uma coisa que a gente aprende é que não controla muito bem as coisas. Não dá para controlar tudo e, graças a Deus, existe a cesárea para ajudar a mulher nesses momentos. É um pouco frustrante, mas passou logo quando eu vi o Bento saudável e feliz no meu colo. Pedi que, quando o retirassem da barriga, o colocassem no meu peito para mamar. Não foi um procedimento agressivo. Muitas mulheres relatam isso. Me senti respeitada e bem cuidada naquele momento pela equipe médica que escolhi. Meus pais estavam lá fora, meu marido, do lado, minha cunhada filmando. Foi uma decisão de grupo, tomada na hora. Fui para a cesárea ciente de que não dava mesmo, que eu tinha tentado. Não me arrependo de nada. Bento veio ao mundo como ele tinha que vir.
Em algum momento você sentiu pressionada na escolha do tipo de parto?
Minha opção sempre foi entrar em trabalho de parto. Eu quis esperar o movimento da natureza, do bebê e do corpo de dizer que ele estava pronto para nascer. Achei que fosse ter parto natural e eu tentei, mesmo não tendo dilatação. Passei pela experiência de um parto induzido, em que a dor é muito maior. Sofri um pouco. Ouço relatos de mães que tiveram um ritmo normal de parto e que não tiveram tanta dor, mas, como eu queria muito, minha médica induziu. É bacana esperar o trabalho de parto acontecer. Tudo é válido quanto é feito de forma consciente. A mulher precisa se empoderar e tomar decisões sem ser influenciada por terceiros.
E na amamentação, foi tudo como você esperava?
Assim que o Bento saiu da barriga, o colocaram para mamar no meu peito. Então, já tivemos esse contato, ele mamou o colostro. Acho que isso facilitou muito o processo da amamentação porque dizem que, quando você faz uma cesárea, às vezes por uma questão hormonal, o leite demora mais para descer e eu não tive essa dificuldade inicial. Meu leite desceu 48 horas depois do nascimento do Bento. Meu bico não rachou, nunca senti dor, nem nada desconfortável. Pelo contrário. O que aconteceu foi que o fato de eu não conseguir descansar, dormir poucas horas por dia, me deixava exausta. Esse cansaço somado ao emocional, com alguns problemas pessoais que me aborreceram, colaborou para o leite ir secando a partir do terceiro mês. Apesar de Bento mamar bem, precisei entrar com o complemento no quarto mês. Entre o quinto e o sexto mês, ele foi perdendo o interesse pelo peito e eu parei de amamentar.
Como foi o seu pós-parto?
Foi uma loucura! Aquela montanha russa de emoções. Quando eu recebi alta do hospital, minha médica foi muito querida e delicada. Ela falou que nos primeiros 15 dias eu poderia ficar um pouco triste, por conta de uma oscilação de humor chamada baby blues. Passados os exatos quinze dias em casa, o Bento começou a ter cólicas e começava a chorar no fim de tarde. Ele seguia gritando até umas 20h. Eu chorava junto, vivendo intensamente o puerpério. Eu o carregava no colo o tempo todo e tentava acalmá-lo. Quem me ajudou muito foi o meu marido. Ele chegava do trabalho e também tentava acalmar o Bento. Ele foi fundamental no primeiro ano. Depois de três, quatro meses, ele começou a me conduzir aos poucos para voltar a ser a mulher dele, voltar para a vida, sair, ir ao cinema, namorar, jantar e conversar um com o outro. Ele sempre foi um pai muito presente e me ajudou no revezamento de trocar fralda, colocar para arrotar, mamar. Consegui passar pelo pós-parto sem precisar de intervenção de um profissional, mas isso aconteceu também pela parceria do meu marido e por ele ter sido um pai intenso. Quando você sabe que o puerpério é físico, é hormônio, parece que fica mais fácil de conduzir essa fase e entender que tudo na maternidade uma hora passa. Quando a cólica dele passou, consegui entender que eu era uma boa mãe e que eu estava conseguindo atender às demandas dele. Vi no rostinho dele que estava feliz e cheio de saúde. Essas inseguranças existem: “será que eu sou uma boa mãe?”, “Será que consigo dar conta?”, “Será que estou fazendo meu filho feliz?”. Eram muitas questões na chegada de um serzinho que você ama loucamente. Ao mesmo tempo, você também está aprendendo o que é bom para ele.
Seu corpo é instrumento de trabalho. Sentiu-se pressionada de alguma forma para voltar a forma antiga depois do parto?
Esta pressão existe com a mulher que trabalha com imagem, mas a gente também se cobra muito. Temos que nos respeitar mais. Eu não pensei nisso nos primeiros três meses, estava muito focada no Bento. Engordei 13 kg e, amamentando, perdi esse peso. No entanto, quando parei de amamentar, continuei comendo muito, naquele mesmo ritmo de gestação, e acabei engordando mais 5 kg. Brinco que engordei de pura safadeza mesmo, de falta de limite. Quando voltei a trabalhar, meu corpo não estava naquele padrão de televisão e o Bento já tinha 1 ano. Precisei me movimentar a partir da prova de figurino. Não dava bola para o que os outros pensavam, meu gênio forte serviu para isso. Soube lidar bem com essa fase. É uma falta de respeito com a mulher fazer dieta com dez dias de puerpério.
Que conselho da sua mãe que você segue com o Bento?
Minha mãe ri muito no papel de avó, porque fui uma criança muito questionadora, muito desafiadora. Eu queria experimentar, testar meus pais. E Bento também tem essas características. Ela sempre disse que tudo passa e que não devemos levar nada muito a sério.
Que conselho você daria para outras mães?
Observar e ouvir a criança. Para se relacionar, é preciso tempo de qualidade. Ter tempo com a criança para fazer atividades que ela goste: colorir, passear, ir à praia. Durante a atividade, procurar ouvir o que a criança tem para falar. É na hora da brincadeira que a criança consegue se comunicar de uma forma sincera e abrir o coração. Reservar um tempo do seu dia para se relacionar mais profundamente com seus filhos é fundamental. Tento fazer isso com o Bento.
TAYNARA PRADO é escritora, jornalista e colunista. Divide o tempo entre o trabalho de Pesquisa de Conteúdo do Video Show e entrevistas com as mães famosas na coluna Conselho de Mãe, às terças-feiras. Quer escrever pra ela? Mande um e-mail para taynara.prado@tvglobo.com.br
Instagram: @taynarapradoo
Twtitter: @taynarapradoo

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Mirella Santos: “Pelo Ceará, teríamos um filho atrás do outro”

Em entrevista à coluna “Conselho de Mãe”, de Taynara Prado, a modelo fala da maternidade e diz que quer ser mãe de novo, mas não agora

Ela é mãe de primeira viagem e agora protagoniza um reality show no Youtube, onde mostra a o dia a dia de sua família. Casada com o humorista Wellington Muniz, o Ceará, Mirella Santos é mãe de Valentina, que, apesar da pouca idade, já está com tudo na internet. A menina tem um perfil no Instagram que já conta com quase 90 mil seguidores. Aqui, ela fala dos desafios de educar a filha nesse contexto e conta que, se dependesse do marido, a família seria maior. É ela quem coloca um freio. “Pai também tinha que engravidar para entender como funciona”, brinca.
Você foi mãe aos 31 anos. A chegada da Valentina foi planejada?
Foi. Eu até poderia engravidar mais tarde, mas meu marido [Wellington Muniz, o humorista Ceará] tem dez anos a mais do que eu. Eu via que ele queria ser pai, que era um sonho dele. Resolvi relaxar e Deus mandou a Valentina para nós três meses depois. Foi bem rápido.
Como descobriu que estava grávida?
Eu andava me sentindo inchada, com o peito grande. Minha menstruação nunca foi regulada, então, não me toquei. Um dia, saí para jantar com um grande amigo enquanto o Ceará viajava e, falando sobre esse assunto, ele disse: “Você está grávida!” Saímos do jantar, passamos em uma farmácia, compramos o teste e não deu outra.
E como foi quando o Ceará chegou de viagem?
Preparei uma surpresa. Comprei flores, fiz um kit com todos os exames que eu tinha feito, coloquei mamadeiras, chupetas e outros itens de bebê e entreguei para ele dizendo que tinham deixado aquele pacote lá em casa. Ele abriu e perguntou: “Vou ser papai?” Foi uma festa, uma alegria.
Você tinha preferência quanto ao sexo?
Nenhuma, mas sempre achei que fosse ser mãe de menino. Achava que tinha cara de mãe de menino (risos). Fiz o exame para saber o sexo do bebê porque ia viajar para Miami e aproveitei para fazer o enxoval.
E a escolha do nome da Valentina? Foi fácil chegar a um consenso?
Muito! Sempre falei que, se um dia fosse mãe de menina, ela se chamaria Valentina. Falava isso desde novinha. Por coincidência, o Ceará também. Quando soubemos que ela estava a caminho, não tinha outro nome, tinha que ser Valentina!
Como é a Mirella mãe?
Sou muito tranquila. Tento deixar a Valentina o mais livre possível. Deixo que ela seja criança mesmo! Tudo que vivi na minha infância, gosto que ela tenha a oportunidade de viver: tomar banho de mangueira, brincar na banheira na varanda, se está calor, deixo de fralda, de calcinha... Deixo ela livre para ser quem ela é e para viver uma infância gostosa.
E como é a personalidade da Valentina?
Ela é muito dócil, mas tem personalidade forte. É carinhosa, mas, sempre que quer alguma coisa, não é fácil de distrair. Ela sabe o que quer e pode passar o dia repetindo isso, mesmo que você chame para brincar, ver um desenho... Ela bate o pé e explica o que está pedindo.
Ela se parece mais com você ou com o Ceará?
O Ceará diz que ela se parece mais comigo, que ela é exibidinha (risos). Ele era mais tímido quando criança. Já eu era mais extrovertida.
Você pensa em ter mais filhos?
Penso, mas não é para agora. Ainda quero trabalhar mais um pouco. Todo mundo precisa trabalhar, não é? Pelo Ceará, teríamos um atrás do outro, mas a decisão do melhor momento é mais da mulher. Seria o máximo se cada um de nós dois engravidássemos uma vez. Pai também tinha que engravidar para entender como funciona (risos).
A idade da Valentina é conhecida como “terrible twos” ou “os terríveis dois anos”. Vocês precisam dar muita bronca nela?
Tento educar da melhor forma possível. Essa tarefa de dizer “não” e de dar limites cabe aos pais. Eu e o Ceará falamos a mesma língua em casa. Quando um diz “não”, o outro não desautoriza. Ela entende a nossa sintonia. Por ser filha única, tentamos dosar muito. Tudo que é excessivo faz mal. A gente tem essa coisa de querer dar pra ela o que não tivemos, mas tentamos manter um equilíbrio. No dia das crianças, demos um pula-pula e pensamos em dar uma piscina de bolinhas junto, mas optamos por um só. A gente vai balanceando.
Dizem que os pais educam e os avós estragam. Essa premissa se aplica na sua casa?
Sim (risos)! Não temos ninguém da família em São Paulo. Somos só nós três. Quando ela vai para a casa dos avós é uma festa! A minha mãe, é claro, quer paparicar muito a neta. Na última viagem que fizemos para o sul, a Valentina jogou o tablet no chão. Tirei dela e avisei que guardaria por algumas horas para ela pensar no que tinha feito. Ela começou a chorar e foi pedir colo para a avó dizendo que a mamãe tinha brigado com ela. Eu mantive minha posição e a minha mãe lá, toda amolecida, querendo devolver o tablet para ela. Expliquei que ela não podia para não tirar a minha autonomia.
Você é rígida com a alimentação da Valentina?
Não. Deixo que ela tenha uma alimentação de criança, como qualquer outra. Ela gosta muito de arroz com feijão e carne, por exemplo. Ela ama beber água - acho ótimo! Se ela não quer comer, não insisto, espero ela ter fome, mas se quer trocar o almoço por iogurte aí eu digo “não”. Não dou refrigerante, mas, no dia em que ela pedir uma bala ou um chocolate, vou deixar que ela descubra esse universo. Mais cedo ou mais tarde, ela vai crescer e conhecer todos esses alimentos. Eu permito que ela seja uma criança normal.

Vocês fizeram um perfil nas redes sociais para a Valentina, que virou um sucesso. Como lidam com a questão da exposição?
Minha gravidez foi mostrada em um reality. O meu canal no youtube, o #minareal, mostra o nosso dia a dia. Eu e o pai dela trabalhamos com comunicação. Não tem muito como esconder nossa filha porque as pessoas que nos acompanham sempre perguntam, se importam, se interessam por ela. Quando fiz um Instagram para a Valentina, fiz como qualquer outra mãe que está orgulhosa da filha e quer compartilhar momentos especiais. Não esperava toda esta repercussão. Ela já tem 86 mil seguidores! Se as pessoas gostam dela, eu fico feliz.
Que conselho você daria para outras mães?
Meu conselho é para darmos o que pudermos para nossos filhos, sem nos esquecer da importância dos limites na vida deles. Dosar os presentes, educar dizendo “sim”, mas também dizendo “não”. Isso é necessário para um crescimento seguro e feliz.
TAYNARA PRADO é escritora, jornalista e colunista. Divide o tempo entre o trabalho de Pesquisa de Conteúdo do Video Show e entrevistas com as mães famosas na coluna Conselho de Mãe, às terças-feiras. Quer escrever pra ela? Mande um e-mail para taynara.prado@tvglobo.com.br
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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Thaís Fersoza sobre a filha: “Às vezes ela chora e eu não sei o que é”

Na primeira entrevista depois do nascimento de Melinda, a atriz fala das rotinas e das dúvidas de mãe de primeira viagem. Ela também conta o que aprendeu com o marido, Michel Teló, e diz que os dois pretendem não esperar tanto para encomendar outro bebê


Mãe de primeira viagem, Thais Fersoza vive um momento transformador. Com a pequena Melinda, 1 mês e meio a tira colo, a atriz conversou com Taynara Prado, colunista da CRESCER, por telefone (entre uma mamada e outra) os prazeres, dúvidas e desafios da maternidade. Na entrevista, a primeira que concedeu depois de se tornar mãe, ela diz que Michel Teló, seu marido e pai de Melinda, dá banho e troca fralda. Ela também conta que tem dúvidas normais, como toda mãe, e revela: ‘’Vou por eliminatórias para decifrar o choro’’.
Taynara Prado – Qual foi o primeiro pensamento que veio à sua cabeça quando olhou para o rosto de Melinda pela primeira vez?
Thais Fersoza –
 Foi indescritível! Na primeira vez em que olhei para ela, fiquei encantada, completamente apaixonada. Eu queria acalmá-la, acalmar aquele chorinho, queria olhá-la por inteiro, sentir a textura da pele. Tinha uma vontade de grudá-la a mim. Era um misto de frio na barriga com coração que salta pela boca. É muito emocionante.
TP – Melinda nasceu em uma cesariana. Você se sentiu pressionada ou julgada por conta da escolha de parto?
TF –
 Nunca senti nenhuma pressão com o parto, porque é uma escolha tão particular e tão pessoal, que nem deveria ter esse tipo de julgamento. Esse momento é de cada mulher e tem que ser lindo, especial. Eu só queria que fosse seguro para mim e, principalmente, para ela. Quis que ela viesse em paz, sem nenhuma preocupação ou risco. Deixei nas mãos da minha médica, que fosse feito o mais seguro e tranquilo para ela. Era só nisso que pensava!
TP – O puerpério é uma experiência profunda para algumas mulheres. Como foram esses primeiros dias para você?
TF –
 Sempre ouvi falar da quarentena, mas demos muita sorte. Li um livro que falava que essa fase era o ‘’salve-se quem puder’’, mas eu e Michel nos surpreendemos porque a pequenininha é bem tranquila. Esse período é uma recuperação, tem muita novidade, muita experiência nova. A gente desejou tanto esse momento e as pessoas nos alertaram tanto que seria difícil, que, quando vivemos esses primeiros dias, achamos tão gostoso... Nos preparamos tanto para esta fase que acordávamos de madrugada de bom humor, ficamos muito envolvidos com esse momento. Passou tão rápido que ela já está com quase 2 meses!

TP – Como foi sua gravidez?
TF –
 A minha gestação foi maravilhosa, tive muita sorte de não ter sentido enjoo. Engravidei em novembro. Em janeiro, estava na Tailândia, Camboja e Vietnã, viajando de férias. Depois, viajamos para fazer o enxoval dela, aproveitamos o carnaval, vida normal. Só descobri que estava grávida por causa do atraso da menstruação e porque a barriga crescia (risos). Eu estava doida para sentir algum desejo, deve ser muito legal precisar comer algo naquele momento, mas só tive a vontade normal de me alimentar mesmo, não chegava a ser desejo. A gravidez foi muito tranquila e me amadureceu muito. Sempre fui muito ansiosa, agitada, mas, desde o momento que descobri que estava grávida, me veio uma paz para viver aquele momento. Curti cada mudança, cada quilo a mais. Michel também era apaixonado pela barriga, conversávamos muito com ela, cantávamos muito para ela, fazíamos muito carinho. Ele sempre foi de bater muito papo com a barriga.
TP – O que você só descobriu depois que a Melinda nasceu?
TF –
 Muita coisa a gente já sabe: que o bebê vai chorar, que haverá uma demanda de amamentação... Mas a maior verdade do mundo é que a gente só descobre o tamanho do amor depois que eles nascem. Por mais que você ame na barriga, quando você pega no colo e vai vivendo cada dia, o amor aumenta. É uma troca muito gostosa.
TP – Algum aspecto da maternidade te deixou tensa?
TF –
 Sempre pensei muito na questão da amamentação e na cólica. Eu pensava: ‘Não quero que ela sinta dor, não quero que ela sofra’. São preocupações normais de mãe primeira viagem. Na medida em que os desafios vão chegando, você vai se adaptando vai relaxando e entendendo melhor esse universo. Às vezes, ela chora, mexe as pernas e os braços e, se eu não sei o que é, fico me perguntando: ‘Será que é cólica? Será que é frio?’  Esse nervosinho do ‘novo’, de querer ajudar, fazer alguma coisa, porque nem sempre a gente entende os sinais. Adotei a estratégia de ir por eliminatórias: primeiro vejo se é fralda, depois, frio, calor... Enfim, vou conversando com ela, cantando para ela e tudo vai se ajeitando naturalmente.
TP – Já consegue ver com quem a Melinda se parece?
TF –
 Sem dúvida nenhuma é com o pai dela. Desde o ultrassom, já dava para ver que a Melinda tinha puxado o Michel. As mães brincam que carregam o bebê por nove meses e depois vem a cara do pai, mas eu realmente acho isso o máximo! É incrível gerar uma pessoinha dentro de você e ser a carinha dele. É  bonito gerar um bebê que é a cara do homem que você ama, que você escolheu para ser seu marido, pai dos seus filhos. Quero mais é que fique cada vez mais parecida mesmo. Fico muito feliz!
TP – Você tem conseguido dormir? Como é a rotina da Melinda?
TF –
 Ela tem uma rotina bem tranquila. Conseguimos estabelecer horários que têm sido bons para ela, com relação à amamentação. Fora isso, ela descansa. Às vezes, temos até que acordá-la para mamar. Quando ela dorme, durmo um pouquinho e tudo vai caminhando bem.
TP – Como você e o Michel têm se saído nas primeiras tarefas como pais de Melinda?
TF –
 Estamos indo bem. Somos muito parceiros. Michel, sempre que está em casa, quer ajudar, participar, dar banho... Dividimos as tarefas. Ele ajuda muito. Criamos uma logística para ela e nos adaptamos à rotina da Melinda. A gente administra isso juntos.
TP – Por quanto tempo pretende amamentar a Melinda?
TF –
 Enquanto estiver rolando, dando tudo certo, continuo.
TP – Você conta com ajuda de mais alguém no dia a dia?
TF –
 Contamos com uma enfermeira, pois nossos pais não moram em São Paulo e ficamos meio que sozinhos aqui. Temos a ajuda dela no dia a dia, mas ela brinca com a gente, dizendo que não pode fazer nada. Gostamos muito de estar com a Melinda, de fazer as coisas, dar banho, trocar.  Se você tem a possibilidade de ter uma pessoa que possa te orientar, isso traz segurança para os pais de primeira viagem.
TP – O nome da Melinda veio de um sonho! Como isso aconteceu?
TF –
 Antes de engravidar, sonhei com uma menina sentada na cadeirinha e o Michel agachado no chão, explicando para ela que ia viajar, mas que já voltava. Ele dizia para ela cuidar da mamãe e para a mamãe cuidar dela. Quando ligo para o Michel aparece no celular dele ‘’Linda Minha’’ e, quando ele me liga, aparece “Meu lindo”. No sonho, eles brincavam com isso e a menininha falava: ‘’A mamãe é linda minha’’. O Michel respondia: “Você é minha linda”. Aí ela dizia ‘’Eu sou a Melinda’’. De uma forma muito clara, percebi que o nome dela era Melinda! Para mim, na época, fez todo o sentido. Michel ficou louco, apaixonado pelo nome, muito pela nossa história de como esse nome veio para a gente. E aí chegou a Melinda!

TP – Muitas mães se identificam com você justamente por você não ter feito nenhum mistério com o nascimento da sua filha. Você posta fotos em situações normais do dia a dia como toda mamãe de primeira viagem. Isso foi pensado antes da Melinda nascer?
TF –
 Não, não foi pensado. Sempre agimos com naturalidade. Eu e Michel temos essa postura porque gostamos de compartilhar momentos com as pessoas que têm carinho e torcem por nós. Não dá para você criar mito, ficar escondendo ou deixando de mostrar algo tão natural. Para mim, é muito claro que somos um casal famoso, mas ela não. Ao mesmo tempo, somos pais de primeira viagem, completamente apaixonados por esse momento, compartilhando alegria de forma simples e natural. Gosto que as pessoas se identifiquem com isso, porque não tem estratégia. Somos apenas pais orgulhosos e felizes.
TP – Você se sente pressionada para voltar à sua forma física anterior?
TF –
 Pressão externa, não. Pressão minha mesmo (risos). A gente se cobra, não é? Tudo tem sua hora, tem seu tempo, mas, trabalhando, é claro, fazendo exercícios com recomendação médica, se alimentando direitinho... Existe aquela ansiedade de querer ficar magra, mas estou consciente de que as coisas acontecem no seu tempo. Foram nove meses para gerar uma vida. Vai demorar um pouquinho para voltar ao que era. Encaro isso numa boa.
TP – Vocês pretendem ter mais filhos?
TF –
 Com certeza, queremos ter mais filhos. Nunca pensamos em ter uma só. Com a vinda da Melinda, tão calminha e descobrindo este amor tão envolvente, queremos mais. Daqui a uns dias começamos a pensar no assunto. Não queremos uma distância muito grande entre eles, mas também não é para agora.

TP – Qual conselho você daria para outras mães de primeira viagem, como você?
TF –
 Um conselho, que aprendi com Michel e faço muito com a Melinda, é trabalhar a positividade. Se o bebê não mamou tudo ou está chorando, falo frases positivas e não de repreensão. Digo: “Vai passar”, “Dá para a gente ficar bem”, “A gente vai ficar feliz!”. Acredito que faz diferença jogar coisas boas para o universo.
TAYNARA PRADO é escritora, jornalista e colunista. Divide o tempo entre o trabalho de Pesquisa de Conteúdo do Video Show e entrevistas com as mães famosas na coluna Conselho de mãe, às terças e quintas. Quer escrever pra ela? Mande um e-mail para taynara.prado@tvglobo.com.br
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